terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobre bicicletas & nossa modernidade assassina

A morte de Antônio Bertolucci, ontem em São Paulo, só trouxe à tona uma velha discussão que nunca foi levada à sério por quase ninguém.

Empresário reconhecido – acionista da empresa de duchas Lorenzetti – foi atropelado por um ônibus enquanto passeava com sua bicicleta pela cidade, morrendo logo após ter sido socorrido.

Não é de hoje que os motoristas não respeitam ciclistas nem pedestres. A falta de educação é uma das poucas leis que impera no trânsito do nosso país. Somado a isso, temos uma “cultura do carro”, que é difundida com toda força pelo Governo, pelos meios de comunicação e que ganham cada vez mais seguidores dentro da sociedade.

A questão não é ser utópico, e achar que todos só devem andar a pé ou pedalando suas bicicletas. O carro também é um meio de transporte, que deve ser usado, mas de maniera consciente.

Lembro que passei boa parte da minha infância sentado numa bicicleta. Qualquer lugar que eu precisasse ir, a Caloi Verdinha me levava/acompanhava, sem reclamar. Hoje bicicleta é artigo de luxo, visto que se você quiser ter uma bicicleta minimamente confortável pra pedalar paga uma pequena fortuna. Além disso, temos pais com pensamentos modernos demais, onde trocam os antigos brinquedos por “motinhas motorizadas” para as crianças, onde estragam a formação das mesmas, mas demonstram todo seu poder econômico na vizinhança.

Americana, por exemplo, não possui ciclovias. Também não vejo por parte do Governo – seja ele Municipal, Estadual ou Federal – incentivos para que a população pratique atividades esportivas, auxiliando indústrias que fabricam não só bicicletas, mas qualquer outro produto usado em qualquer modalidade esportiva. Para a indústria automotiva eles só faltam dar o c*. E a desculpa pra isso é sempre a mesma.

Ninguém precisa de um carro pra ir até a padaria, à banca de jornais e revistas, ou pra visitar a vovó que mora no bairro vizinho. Nós precisamos de carro pra viajar, ir até o casamento do fulano ou levar alguém que passa mal ao médico. Sem radicalismos.

Diante disso, continuamos não só a conviver com fatos como este do atropelamento, mas a formar cada vez mais motoristas impacientes, estressados e burros. Até porque, uma pessoa a pé ou de bicicleta, vai sempre representar um carro a menos nas ruas. Mas isso eles são incapazes de perceber.

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